A sensibilidade e a sinceridade de Estamos Bem

outubro 13, 2017


A primeira coisa que pensei quando fechei Estamos Bem, logo após finalizar a leitura em um único dia, foi: como que um livro tão pequeno pode dizer tanto? 

Depois de passar quase um mês na leitura de How To Stop Time (que é um livro incrível e um dos melhores que li no ano, tentarei resenhar também) eu estava precisando de uma leitura rápida, que pudesse me fazer companhia em um final de semana ou, nesse caso, em um feriado. Quando meu pacote da Amazon chegou na quarta-feira eu soube que Estamos Bem era a pedida certa. 

Em pouco mais de duzentas páginas, Nina LaCour nos conecta à Marin, uma jovem recém chegada em Nova Iorque, procurando no alojamento da faculdade um esconderijo, um local seguro para onde pudesse fugir de tudo que deixou para trás: a paixão pela leitura, a casa de seu avô, o sol da Califórnia, o corpo de Mabel e o último verão que viveu na sua antiga vida que ela agora prefere esquecer. 


Com uma sensibilidade e beleza já estampadas na capaEstamos Bem é tão bem escrito e sincero que, em poucas páginas, consegue ser mais intenso do que outras obras extensas que existem prateleiras afora. É um livro sobre a dor. A dor do luto, a dor do autoconhecimento, a dor da solidão
"O desconhecido é um lugar escuro. É difícil se render a ele. Mas acho que é onde moro a maior parte do tempo. Acho que é onde todos nós vivemos, então talvez não precise ser tão solitário. Talvez eu consiga me acomodar, me aconchegar, construir um lar na incerteza."
O livro inteiro parece um desabafo bem pessoal de Marin, é uma espécie de diário, e é isso que torna tudo tão mais intenso, que nos aproxima da personagem, que faz com que nos importemos e nos preocupemos com ela. Que permite que conheçamos Marin aos poucos, na velocidade que ela permite, de acordo com o seu desejo e a sua disponibilidade de se abrir no seu próprio tempo. 


Entre indas e vindas, entre capítulos que narram o presente e o passado de Marin, há o amor. O amor de uma família, de estranhos, de uma melhor amiga e um amor romântico. Estamos Bem, com muita sensibilidade e sinceridade, ganha espaço entre os romances LGBT da literatura atual. 
"Estamos em uma faculdade de Nova York, não numa escola católica. Muitas garotas aqui usam pulseirinhas de arco-íris ou broches de triângulos rosa e falam com casualidade sobre ex-namoradas ou dizem que a coordenadora do programa de estudos femininos é gata. Nunca participei disso, mas só porque não falo sobre as coisas que deixei para trás. Mas acho que reparei, apesar de ter tentado me fechar. Apesar de tudo, notei algumas garotas."
Nina LeCour mostra com maestria que não precisa de floreios para tocar as pessoas. Sua escrita é muito pontual e sincera e cumpre com sua proposta de sensibilizar sobre assuntos angustiantes e importantes, tudo ao mesmo tempo.


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1 comentários

  1. Nem sei dizer quão lindo e angustiante é esse livro <333 Seu último parágrafo resumiu muito, com certeza, é uma história que parece superficial, mas que desvenda muitos sentimentos ao longo da narrativa, quase como um iceberg <3 E essa capa? EU AMO MUITO ESSA CAPA, AAAAAAH.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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