#SetembroAmarelo: Invisível

setembro 11, 2017


"Eu começo a esquecer. É assim que percebo que tem algo errado."
É assim que começa o conto Invisível, da minha querida amiga Nina Spim. Um conto curtinho - mas intenso de uma forma que te atinge em cheio -, sobre depressão, sobre o vazio, mas também sobre se reerguer. 

Eu já tive o prazer de ler alguns dos escritos da Nina. Os textos carregados de sentimento que ela posta no blog, pequenos contos, e até seu livro, que eu acompanhei desde as primeiras palavras. Nina tem uma escrita única e não importa o que ela escreva, ou sobre o que escreva, uma coisa é certa: sempre vai estar carregado de sentimento. Um sentimento de dor, ou de angústia, ou de esperança. Quase sempre tudo junto. E é isso que a Nina tem de mais especial, ela põe verdade em suas obras. 

E uma das coisas que eu mais amo na autora, além de todo seu sentimento e verdade, é sua preocupação com a responsabilidade e a representatividade, é saber que a arte -e a escrita é essa arte -é um reflexo da realidade, "é saber que a sua mensagem será lida e que você tem responsabilidade sobre ela, que a sua literatura repercutirá um efeito na história real do leitor."



Invisível é uma história real de milhares de pessoas que sofrem com a depressão, que pensam em suicídio, que se sentem vazios e invisíveis todos os dias, seja nos dias mais difíceis ou nos "dias bons". E através do conto, narrado em primeira pessoa, é possível ter uma ideia bem viva do que se passa na cabeça e na vida de alguém que sofre de depressão. O sentimento é palpável. 
"(...) as pessoas são assim: elas podem não entender nada sobre você, mas precisam falar o que é melhor para uma vida que não é delas."
Em seu conto, Nina discute sobre o amor e a dor e sobre o que nos faz querer continuar vivos. Nos fala de sentimentos: expostos, bagunçados ou simplesmente ausentes; sobre sentir nada e a vontade gigantesca de querer sentir, mesmo que seja dor. 
"Vejo as lágrimas e o sofrimento. Queria que isso também estivesse estampado no meu rosto, mas é difícil fabricar até mesmo a tristeza." 
 E então a ajuda. O pedido que vem de fora, de quem ama e se importa, mas não de quem sobrevive aos dias ruins, um a um. Porque é isso, apenas sobrevivência e não o "viver". Porque ela não sente nada. Porque, dentro dela, ela estava lutando. Não era visível - não quando não havia respostas e o sono era a solução mais urgente -, mas suas peças estavam trabalhando, mesmo que num ritmo pífio.

Terapia. Um ambiente calmo, florido, ensolarado. Tentativas e mais tentativas. Batalhas diárias sendo vencidas. Força. Autoconhecimento. Vontade de continuar tentando. E então descobrimos que está tudo bem ter dias ruins, desde que não paremos de tentar. 
"Os dias horríveis vão existir e se repetir e está tudo bem. Está tudo bem sentir o peito comprimido, o ar dissolvido na traqueia, o pavor infinito na mente. Está tudo bem ter que correr, fechar os olhos e contar até cem. Vai continuar acontecendo, porque não vou me livrar das piores lembranças. Sou eu, eu que acho que estou esquecendo tudo, mas todas as coisas ainda permanecem. Eu escolhi quais ficariam e quais rolariam até a profundeza. Todos os dias eu vou ter que escolher."
Invisível está disponível na Amazon, assim como os outros contos da Nina. Vale muito a pena a leitura, até para trabalharmos a empatia, o olhar e a escuta do outro.

Esse post faz parte da campanha #SetembroAmarelo , que visa conscientizar e combater o suicídio. 

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2 comentários

  1. SOCORRO. EU NÃO CONSIGO FAZER NADA ALÉM DE SORRIR E SEGURAR O CHORO DIANTE DESSA MELHOR RESENHA EVER!!!!

    CAPS LOCK PQ TÔ MUITO EMOCIONADA, AAAAH. SUA LINNNNNDA! MIL VEZES OBRIGADA POR SUAS PALAVRAS INCRÍVEIS! <3333

    (Fico muito grata por minha literatura não ser somente um montinho de palavras e ela ter um lugar nos corações dos leitores. Esse conto foi escrito do nada, sem planejamento, e foi tão sincero. Espero que ele possa fazer mais pessoas refletirem sobre a arte de sentir <3).

    Love, Nina.

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    1. QUE HONRA RECEBER O TÍTULO DE MELHOR RESENHA EVER!!
      Eu que agradeço por suas palavras, pela verdade e intensidade delas, são sempre um presente. Espero também que esse conto se espalhe e toque o coraçãozinho de muita gente, assim como fez comigo. Você é incrível, e eu nunca canso de repetir.
      Um beijão

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