#SetembroAmarelo: Dear Evan Hansen

setembro 06, 2017


Escrito por Benj Paek e Justin Paul, os mesmos de La La Land, o musical da Broadway e vencedor de seis Tony (maior prêmio na categorial de musicais), incluindo o de Melhor Musical no ano passado, Dear Evan Hansen canta a história de um aluno do ensino médio que sofre do transtorno de ansiedade social e sente-se perdido e deslocado, invisível diante de seus colegas da escola e não consegue se aproximar da menina por quem ele é secretamente apaixonado. 

O musical começa com Evan no quarto ouvindo de sua mãe as mesmas recomendações de seu psiquiatra: ele precisa sair, falar com as pessoas, fazer amigos, escrever cartas motivacionais para si mesmo. Evan está com o braço engessado, que ele afirma ter quebrado ao cair de uma árvore. Ainda na música de abertura, Anybody Have a Map, a mãe de Connor e Zoe (por quem Evan é apaixonado) também aparece em um diálogo com a sua família, ambas as mães tentando encontrar a melhor forma de criar e ajudar seus filhos. 

Na música Waving Through a Window Evan canta I try to speak, but nobody can hear, e depois, ao escrever uma carta para si mesmo, como o médico sugeriu, diz: 
"Eu queria ser parte de algo, ou que minhas palavras fossem importantes para alguém... Quer dizer, ninguém notaria se eu desaparecesse amanhã."
Acontece que essa carta vai parar nas mãos de Connor, irmão de Zoe, e quando o rapaz se suicida, seus pais se aproximam de Evan, achando que ele e o filho eram amigos, à procura de algum motivo ou sinal para tal ato.  Evan se vê encurralado, sem saber o que fazer, e acaba mentindo para a família do rapaz, alegando ser sim amigo de Connor, com quem trocou vários emails. 

O que vem a seguir é uma espécie de efeito dominó. De repente toda a escola, e não só Evan, passam a falar sobre Connor, sobre os possíveis motivos que o levaram ao suicídio. É uma espécie de comoção geral, mas que nem sempre vem acompanhada de real empatia. No entanto não é difícil observar que esse é um processo natural, se questionar sobre a fragilidade e a efemeridade da vida principalmente quando se presencia a morte de perto, nesse caso o suicídio de um colega de escola, no auge da sua adolescência. 

O musical vem sendo bastante problematizado devido as atitudes de Evan. Alegam que ele se aproveita da dor e fragilidade de uma família em benefício próprio, para se aproximar de Zoe. Mas ao longo da história é possível entender os motivos que levaram Evan a isso. Em determinado ponto da trama fica claro que Evan não quebrou o braço em um acidente, ele também tentou suicídio. Ele sente-se sozinho e invisível, nunca teve amigos e a ideia de ter um, mesmo que sendo uma mentira, é tentadora. Evan quer fazer a diferença na vida de alguém e ele pensa que se fizer a família de Connor, principalmente Zoe que tinha uma visão tão ruim do próprio irmão, enxergá-lo com outros olhos, mesmo após sua morte, é fazer essa diferença. Fazer com que percebam que Connor poderia sim ter sido alguém amado e capaz de amar de volta, alguém com amigos com quem pudesse contar, que tentou livrar-se das drogas. Evan passa então a criar uma imagem completamente diferente de Connor para sua família. E no processo, acaba colocando muito de si nesse personagem que cria. Ao mesmo tempo em que ele sente-se acolhido pela família de Connor, já que sua mãe trabalha muito e acaba se tornando ausente. 

Mas o mais importante nesse musical é a rede de ajuda que se cria. Após o suicídio de Connor, Evan cria o Projeto Connor: um grupo de estudantes dedicado a manter a memória de Connor viva, para mostrar que todos deveriam ser importantes. Outros jovens começam a contar suas histórias e essas pessoas que um dia se sentiram pequenas e invisíveis começam a ser vistas e ouvidas.

A mensagem que fica pode ser resumida em duas músicas, Disappear e You Will Be Found (e sim, chorei de novo ouvindo essa música para escrever esse post). Você importa. Independente de quem você seja, do que tenha feito ou deixado de fazer, você importa. E, quando você não se sentir forte o suficiente para ficar de pé sozinho, peça ajuda. Levante o braço, erga a cabeça, e você será encontrado.  Você não está sozinho. 
" Ninguém merece ser esquecido. Ninguém merece desaparecer. Ninguém deveria ir e vir e ninguém saber que ele sequer esteve aqui."

Esse post faz parte da campanha #SetembroAmarelo , que visa conscientizar e combater o suicídio. 

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2 comentários

  1. Amei muito seu blog <3 É tão difícil ver blogueiras falando sobre teatro musical hahahahah com certeza vou voltar.

    Dear Evan Hansen é maravilhoso, tem uma trilha sonora amorzinho demais e uma história super necessária. Deu até vontade de assistir de novo!

    Beijos!
    www.poesiadestilada.com

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    1. Oi Ana,
      Que feliz que eu fico sempre que encontro outros amantes do teatro musical por aqui, é minha paixão!
      Que bom que gostou do blog, seja bem-vinda :)
      Eu amo DEH demais, não tem uma só música que não seja maravilhosa e a história é TÃO importante, ne?
      Beijo

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