A leveza e a inocência de Em Algum Lugar das Estrelas

junho 07, 2017

"Talvez deva se concentrar na beleza daquelas estrelas lá em cima, em vez de pensar só na função delas. Olhe para elas, admire-as, deixe que o fascinem, antes de esperar que elas o guiem. [...] Aquelas estrelas lá em cima são atraídas umas pelas outras de muitas maneiras diferentes. Conectam-se de formas inesperadas, como as pessoas." 


Eu nunca fui muito de olhar para o céu e ficar admirando estrelas, e provavelmente ter nascido e crescido em "cidade grande" não tenha ajudado, porque as luzes dos postes e das casas e dos carros acabam por ofuscar a luz das estrelas. Foi lendo o livro de Clare Vanderpool que eu aprendi a olhar para as estrelas. Mas, mais do que olhar (e admirar) as estrelas, Clare também nos ensina a olhar para as pessoas e, principalmente, para nós mesmos. E perceber a maneira como elas nos atraem e a forma como nos conectamos com elas. Porque,  como alguns de vocês já sabem, eu acredito muito no Destino. E como a mãe de Jackie sempre disse, "nossas vidas são todas entrelaçadas. É só uma questão de ligar os pontos." 

Em Algum Lugar nas Estrelas é uma verdadeira aventura. E não adianta tentar fugir, é impossível não embarcar - literalmente em um barco - com Jackie e Early. Numa aventura em busca daqueles que se perderam acabamos por nos encontrar, eu e Jackie. Aposto que você também. 


Clare Vanderpool se tornou mais uma na minha lista de exceções, porque, apesar de amar crianças, eu geralmente não gosto de livros narrados por elas. Mas Vanderpool conseguiu, através de uma escrita leve e ao mesmo tempo extremamente profunda, me tocar e me encantar. O que temos aqui é uma criança vista pelos olhos de outra criança. Early é visto pelos colegas como um menino estranho, mas ao longo de toda a jornada fica claro o óbvio: ele não é estranho, ele é especial, incrível, e tudo aquilo que eu gostaria de ser. Early acredita em si mesmo. Early sabe o que quer e vai em busca disso, sem medo, e sempre - eu digo sempre mesmo -, olhando para o melhor das outras pessoas, até mesmo os caras maus. É de aquecer o coração. 

Embarcar num jornada em busca de algo em que se acredita e voltar dela renovada, com uma nova visão, mais otimista e mais madura, era tudo que eu precisava. E "é claro que eu não sabia como chegar a esses lugares, mas é essa a questão de estar perdido. Ter liberdade para ir a qualquer lugar, mas não saber onde ficava lugar nenhum." Ainda bem que Jackie e Early aceitaram essa navegante a mais. 


Nas notas da autora ela explica que, pelos padrões atuais, Early poderia receber o diagnóstico de uma forma altamente funcional de autismo, mas ela optou por não rotulá-lo como um. E não só porque na época em que a história se passa não havia definição alguma de autismo, mas porque, antes de qualquer diagnóstico ou rótulo, Early é um menino único e especial, que tem uma mente fantástica, um coração enorme e a crença de que o mundo é um lugar bonito, apesar de tudo. 
Esse post faz parte do Projeto Essential Books. O tema do mês de Junho foi inocência

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2 comentários

  1. Oi, Ceci!

    Awww, como não amar o Early, né? Também achei muito boa a abordagem da autora em não "rotular" a personagem como autista. Eu entendo que é necessário dar representatividade - e usar as denominações é essencial, nesse caso -, mas existem ocasiões que as personagens falam por si sós. A-m-e-i a última imagem! <3

    Que bom que a senhorita está de volta! <3333

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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    1. Early me encantou desde o começo, você estava certa quando disse que eu gostaria dele e me emprestou o livro. Muito obrigada <3
      E a ultima foto também é a minha preferida hahaha

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